Carybé

Desenhos maravilhosos de capoeira por caribé:

Carybé – Arte de Paixão pela Bahia e a Cultura Afro-brasileira

Hector Julio Páride Bernabó, apelido Carybé, nasceu no dia 7 de fevereiro de 1911 em Lanús, um pequeno município da província de Buenos Aires localizado na zona sul da grande Buenos Aires. Foi pintor, ilustrador, gravador, desenhista, ceramista, escultor e muralista, pesquisador, históriador e jornalista, Argentino naturalizado e radicado no Brasil. 

Carybé veio para o Brasil no ano de 1919, ainda menino, morar no Rio de Janeiro.
A paixão pela arte, um dom natural, também comum a seu irmão, o ceramista Arnaldo Bernabó.
Estudou na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e em Nova Iorque.
Carybé produziu cerca de cinco mil trabalhos entre esboços, esculturas, pinturas, desenhos e ilustrações. Ilustrou livros de autores consagrados como: Jorge Amado, Gabriel García Lorca, Mário de Andrade, Pierre Verger, entre outros.
Carybé atuou também nas artes cinematográficas, foi figurante e diretor artístico, fez os desenhos de cenas do filme ‘O Cangaceiro’, de Lima Barreto. Foi autor e co-autor de vários livros, e publicou a íconografia dos deuses africanos no candomblé da bahia.
Em 1950, Carybé se estabelece em Salvador, Bahia, pois tinha arrumado um emprego que para ele era um presente dos deuses, desenhar as cenas da Bahia. Passa então a fazer parte do movimento de renovação das artes plásticas. Era um apaixonado pela cultura Afro-Brasileira, o Candomblé, tanto que era obá de Xangô, inclusive foi durante uma seção de candomblé, no dia 2 de outubro de 1997 que teve um ataque cardíaco e morreu.
Carybé era um cidadão da cidade de Salvador, título que demonstra o carinho, a admiração e o respeito do povo da Bahia.
No Museu Afro-Brasileiro de Salvador encontra-se uma parte da obra do artista, composta de 27 painéis representando os orixás do candomblé da Bahia, confeccionadas em madeira de cedro e entalhadas e encrustadas de materiais diversos.
Carybé, não foi um artista muito premiado, gostava de pintar, mas não gostava de fazer exposições e nem de dar entrevistas. Era um homem alto, elegante, o mais baiano dos estrangeiros, dono de uma arte inigualável e que tinha a Bahia e os deuses africanos como grandes paixões e orgulho.
Casado com a Argentina Nancy durante cinquenta anos, com quem teve dois filhos: Ramiro, artista plástico e Solange, uma biológa. Segundo sua família, Carybé era um homem de muita fé. Ele costumava dizer que era um “branco suspeito”, devido sua grande proximidade e admiração pelos valores do candomblé da Bahia.

“Sou amoroso e devoto da religiosidade afro-brasileira, de seus deuses modestos e humanos, que hoje se defrontam com estes deuses contemporâneos, terríveis e vorazes, que são a tecnologia e a ciência”

Segundo seu ilustre amigo Jorge Amado, ninguém melhor do que Carybé retratou e amou os valores culturais da Bahia de maneira mais verdadeira.

“Os outros podem reunir dados físicos e secos, violentar o segredo com suas máquinas fotográficas e os gravadores e fazer em torno dele maior ou menor sensacionalismo, a serviço dos racismos mais diversos, mas apenas Carybé e ninguém mais poderia preservar os valores do candomblé da Bahia.”

Obras de Carybé – Seu Universo Mítico

Carybé – “Festa do Pilão de Oxalá”; desenho da série Iconografia dos Deuses Africanos

Carybé – “Índios Guerreiros”; painel no edifício Campo Grande (Salvador, BA)

Carybé – “A morte de Alexandrina” (1939); óleo sobre tela

Carybé – “Bahia” (1971); óleo sobre tela

Carybé, Baiana – óleo sobre madeira

“Oxum”; desenho da série Iconografia dos Deuses Africanos

Xilogravura do álbum “Sete Lendas Africanas da Bahia” (1979)

“Cristo na Coluna” (1966); desenho em nanquim sobre papel

O escritor baiano, seu grande amigo, em um de seus versos integrantes da Cantiga de capoeira para Carybé, traça bela descrição da relação de Carybé com a cultura baiana:
[…] A paisagem, a poesia e o mistério da Bahia,
ê, ê camarado, e de quem é?
É de Carybé, camarado,Ê camarado, ê…

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